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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Capítulo 1

A
ntes da explosão, houve uma tensão. Era como se tivessem batido em nossas cabeças, e aquele som parecido com um chiado agudo tivesse permanecido por horas, até o momento final. Aos poucos nos acostumamos, mas logo sentimos a temperatura subir, e então uma espécie de onda fazia com que nossas antenas ficassem sensíveis e nos levassem a dores mais do que desagradáveis. Filhotes choravam, mães tentavam acalmá-los.
Os sinos tocaram graves, e todos nos direcionamos para a Praça do Governo. Mor nos devia uma explicação e uma saída daquela angústia. Milhares de corpos altos e esguios fechavam minha visão, e, portanto, engatinhei por debaixo das pernas. Antes mesmo de levantar pude ver o barϊthioñ Mor saindo pelas gigantescas portas do Palácio. Ele não era diferente de todos nós: alto, esguio, elegante. A casca era morena, os olhos grandes, e as antenas maiores ainda. Diziam que ele poderia perceber o perigo a anos-luz de distância, e lutar com uma agilidade avassaladora. Ele vestia branco. As botas negras de couro importado dos planetas Caniviais eram tão bem polidas que refletiam o brilhante das joias de cor vermelha; e o tecido de seda de sua capa dos planetas Arctiniais era de um vermelho transparente que fazia com que os guardas atrás de Mor parecessem estar banhados em sangue. No cinto de prata trazia uma espada forjada nos planetas Magmatiais, especializados em aço branco.
Mais um passo de Mor e eu pude perceber que aquele era nosso fim.
── Povo barϊthioñ, estamos diante do que mais temíamos. A supernova está mais próxima do que calculávamos. Temo em anunciar que os Camalienígenas estavam corretos. ─ Um burburinho de indignação e desgosto tomou conta do local por menos que 2 segundos. ─ Entretanto, o perigo não é iminente. O raio de destruição das supernovas nunca chegou a mais que 1000 anos-luz, e esta não será diferente que as outras. Meu povo, estamos a 3000 anos-luz desta supernova. Não há nada o que temer. Logo, os sintomas irão se dissipar, e viveremos em paz novamente.
A dúvida de todos os barϊthioñs ainda permanecia, mas logo a sacerdotisa Amaliah começou a subir as escadas. Ela tinha a casca branca, e usava um longo vestido transparente dos Arctiniais. Os cabelos eram decorados com joias banhadas em prata, e na fina cintura um cinto de ouro trançado era a única decoração que desviava a atenção de seu corpo nu coberto pelo fino tecido. Ela representava a pureza, e era nossa ponte para com nosso Yaemah. Porém, para mim, ela era minha mestra. Assim como ela, eu também tinha a casca branca, e todos os outros detalhes: quando ela morresse, eu seria sua substituta, a mais nova ponte para o divino. Escondi-me por trás de um barϊthioñ mais alto que eu, a fim de que ela não me encontrasse. Eu tinha fugido do Templo neste dia para me livrar de onde eu deveria estar naquele exato momento, que seria logo atrás dela, observando com atenção e aprendendo meus deveres de sacerdotisa.
Nas mãos, ela carregava uma travessa de cristal contendo água. Mor ajoelhou-se, com a espada fincada logo a sua frente, e Amaliah levantou para o céu avermelhado de fim de tarde a travessa. A luz refletiu na água, e por um momento todos nos afogávamos em vinho. Senti a devoção a minha volta, junto com o calor abafado que unia meu vestido ao meu corpo. Amaliah lavou o rosto e as mãos de Mor com a água, e todos gritamos um “heimé”, mandando a Yaemah nossa fé. Naquele momento, eu sabia que estávamos entregando a Ele nossas vidas.
Foi então que aconteceu.
A explosão seria bonita, se não fosse igualmente assustadora. Milhares de cores invadiram o céu, e misturaram-se com o pôr da estrela.
O chiado ficou mais forte, quase me ensurdecendo. A luz era forte demais, e logo me senti cega. Caí no chão, sentindo mais corpos em cima de mim. A terra tremeu, e então, tudo ficou negro.


M
eus olhos doíam como se alguém estivesse esmagando-os com as unhas. Minhas antenas tremiam, e minha boca estava seca. Sentia vontade de gritar e chorar diante tanta dor, e talvez estivesse, mas não tinha certeza por conta dos gemidos doloridos de todos os outros. O ar estava pesado, a temperatura elevada, e meus membros fracos. Tentei abrir as asas, mas não consegui. Então chorei, a ponto de ficar cansada e finalmente abrir os olhos secos.
Alguns brilhavam, outros sumiam e reapareciam em outros locais. Alguns outros, a medida que iam erguendo-se, foram descobrindo mais mutações. Mas a verdade era que todos sentiam a mesma dor que eu. Todos gritavam desesperados, pedindo piedade a Yaemah. Outros apenas choravam, agoniados, jogados ao chão. Outros, menos feridos, ou então há mais tempo acordados, tentavam salvar o que podiam das casas caídas. Ergui a mão e pude ver a fuligem sujando meu imaculado branco. Branco. Com dificuldade me ergui, e caminhei até o Altar. Lá, no chão molhado pela água sagrada, pereciam tanto Mor quanto Amaliah. Esmagados. Sujos. Não conseguia chorar, uma vez que não possuía mais lágrimas, outra que não sentia pena. Todos já tínhamos compreendido que aquilo tinha sido a supernova. E eu, que Mor apenas tentava alimentar seu grande orgulho.
Olhei para o chão, e vários cristais brilharam de uma só vez. Minha cabeça ainda zunia, e minha respiração ainda pesava, mas me dediquei a recolher pedaço por pedaço. Aquilo era nossa cultura. Nossa crença. Gerações de sacerdotisas tinham carregado a mesma travessa e banhado gerações de Mors com a água da mesma fonte.
Fiquei alarmada. Precisava ver se o Templo estava bem, se o lago permanecia calmo. Ao virar-me, porém, percebi que talvez não fosse possuir calma por muito tempo. Os barϊthioñs, um por um, foram se curvando. Largavam seus pertences, derramavam suas lágrimas. Ajoelharam-se, e eu podia ver fileiras e mais fileiras praticando a mesma ação, em uma fé inquebrável. Agora, eu era sua sacerdotisa. Sua guia. Sua líder. Minhas antenas tremeram, e um barϊthioñ já idoso riscou com o dedo uma linha invisível do meio de seus olhos até o meio de seu peito.
─ Heimé, sacerdotisa Alexandria!
─ Heimé! ─ Todos responderam, fazendo o mesmo gesto, entregando sua fé a mim. E eu deveria abraçá-la, e cuidá-la.
Eu, Alexandria Ϊths, com meus simples 16 anos, agora deveria ser a ponte entre os dois espectros. Estremeci, perguntando-me o que deveria fazer.
Segundos se passaram, mas para mim pareciam horas. A poeira tomava conta de meu planeta, completamente destruído pela ignorância, e, mesmo assim, os barϊthioñs esperavam, submissos, minhas ordens e meu apoio. Olhei para o céu, pintado com cores azuis, rosas e verdes, como uma aurora polar. Senti Yaemah em mim. Aquele era o momento de uma decisão.
─ Em nome de Yaemah, eu, Alexandria Ϊths, peço a benção para ser sua mais nova sacerdotisa. Juro, em nome do Criador que farei de tudo para cuidar de nosso povo, e para encontrar um local onde possamos reerguer nossa nação. Serei sua ponte, seu sustento, e sua estrela. ─ Abri as asas, transparentes como as de Amaliah costumavam ser, e todos os seis braços para o céu. Risquei a mesma linha invisível do meio de meus olhos até o meio de meu peito. – Heimé!
E todos responderam, em uma única voz:
─ Heimé!

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            E
u nunca tinha visto Kathya tão brava sem entender o motivo. Os monitores mostravam que a explosão havia ocorrido como o previsto, e que todos os planetas registrados tinham evacuado. Por mais controlada que fosse, sua pele mudava levemente do verde claríssimo ao branco do jaleco, e seus olhos minúsculos moviam-se incessantemente por trás dos óculos, a procura de alguma resposta. A língua também não devia estar nada quieta dentro da boca, pois em dado momento vi um filete minucioso de sangue deslizar pelo canto da boca, mas com um movimento rápido ela o limpou. Tomou um gole do café e finalmente soltou o ar que estava contendo por tanto tempo.
                ─ Esses malditos não ouvem nada nem ninguém!
─ Quem? ─ Perguntei, olhando por cima de seu ombro, tentando enxergar a bagunça de cores amarela e vermelha da tela.
─ Os Barϊthioñs, Anastácia! Está vendo isso? ─ Ela apontou para uma área circular completamente avermelhada. ─ É Endívia. Era um dos planetas no raio de alcance da supernova 000. Nós avisamos a eles, claro, mas os barϊthioñs são orgulhosos demais para acreditar que aquela “civilização” baseada em um deus inexistente fosse ser destruída pela mais pura ocorrência química e física!
Mordi meu beiço. Não gostava quando Kathya começava a falar desse modo das crenças. Eu também acreditava na ciência, e talvez todos os camalienígenas fizessem o mesmo, mas não era motivo para achar que um possível deus não existisse, ou então desrespeitar a crença alheia.
─ Mas eles devem ter sentido os sintomas... ─ Rebati, tratando de defendê-los. ─ Digo, para a espécie deles deve ter sido algo insuportável. É improvável que tenham continuado por ali. Devem ter se refugiado em outro planeta, como Órion.
─ Duvido.
─ Bem, não seria bom mandar uma equipe de reconhecimento? Se eles estavam por lá, pode ter sobrado alguém, ou...
─ Anastácia, a radiação que uma explosão dessas acarreta não é brincadeira. Mesmo os nossos mais avançados trajes ainda não suportariam. Se fosse simples assim, não teríamos dado alerta de emergência. ─ Ela finalmente tirou os olhos da tela e os direcionou para mim, colocando seu café em cima da mesa. ─ Sei que quer ajudar, até mesmo que se preocupa com eles, mas agora é tarde. Fizemos tudo o que podíamos, e eles não quiseram nos ouvir. Agora é esperar que o todo-poderoso Yaemah cuide deles, porque nós precisamos ajudar aos outros.
Assenti um pouco hesitante e tirei do bolso de meu jaleco meu tablet enquanto ia para a estação de imigrantes. Precisava quantificar e classificar as espécies, garantindo que todos tinham saído ilesos da explosão. Passei por um espelho e parei para me arrumar. A noite tinha sido longa.
Meus cabelos ruivos faziam um contraste com minha pele esverdeada, que por conta do cansaço mudava de cor a medida que as pessoas passavam por mim. Meus olhos eram completamente negros, e se eu abrisse a boca, minha língua enorme poderia assustar um terráqueo, por exemplo.  Vestia uma calça jeans e uma camiseta preta, com o jaleco cobrindo quase tudo. As olheiras eram de um verde claro, mas se eu não descansasse logo, transformar-se-iam num verde musgo desagradável. Soltei um suspiro e voltei ao trabalho, entrando na estação de imigrantes.
Todas as raças poderiam ser encontradas por ali: povos dos planetas Arctiniais, com sua infinidade de olhos e mãos ágeis, responsáveis por toda produção têxtil; dos planetas Caniviais, de onde conseguíamos nossos produtos em couro, além de uma série de produtos alimentícios, mais principalmente laticínios e carnes; Magmatiais, onde podíamos encontrar gigantes hábeis e musculosos, acostumados com altas temperaturas, planetas nos quais conseguíamos aço, bronze, amálgama e todo tipo de liga metálica. E ali também se encontravam povos dos planetas Metamitiais, onde as maiores jazidas de metais preciosos e minerais eram encontradas.
Esse último era entendido por Endívia, o planeta natal dos Barϊthioñs, onde havia ouro e cristais; Ílya, meu planeta, berço de elementos como mercúrio, silício, ferro, chumbo, etc; e, por fim, Sonian, uma terra de grandes florestas e jazidas de carvão e diamantes. Lá residiam os Babuínos, nossos maiores aliados. Juntos, os planetas Metamitiais eram os mais ricos, e, portanto, mais influentes.
Posicionei-me do lado de um voluntário magmatiniano, responsável pela segurança, e comecei a anotar meus dados. Não era a coisa mais divertida para se fazer, mas era importante. Após um longo período contando tanta gente estranha em uma mesma sala, finalmente chegaram para me substituir. Quase não percebi quem era até que ele tocasse meu ombro e me desse uma lambida com a ponta da língua, algo muito... excitante, para um camalienígena, mas que, pensando melhor, provavelmente era bem nojento para os povos em volta.
─ Nataniel! ─ Eu ri, limpando o rosto. ─ Kathya mandou você para me substituir? Acho que ela ficou louca, no final.
─ Não, ─ Ele deu aquela risada gostosa, e tirou o tablet de minha mão. ─ mas pediu que eu mandasse você dormir. Ela falou algo sobre você estar parecendo um bicho morto com suas olheiras, e ser insuportável olhar você mudando de cor o tempo todo. ─ Ele deu de ombros, brincando com meu cabelo, e sorriu maldosamente. Revirei os olhos, empurrando-o com um sorriso e me despedindo.
Tirei o jaleco e chamei o elevador, logo chegando a meu andar. Tinha me mudado para o prédio do Instituto pouco depois que deram o alerta da supernova. O quarto ainda estava meio vazio, mas já tinha uma mesa com meu computador e uma cama. Até lá, não precisava de mais nada. Tomei um banho, coloquei um moletom e me encolhi debaixo do cobertor. Minha cama era em frente da janela, e era possível enxergar aquele céu colorido com uma espécie de aurora polar. Apenas o planeta Terra tinha realmente uma aurora polar, mas as cores da explosão da supernova davam para enganar os iludidos.
Peguei-me imaginando na situação dos barϊthioñs antes da explosão. Eram um povo com os sentidos muito aguçados, provavelmente tinham sofrido incômodos o dia todo. Suspirei. Sonian teve a sorte de estar longe do raio de alcance da supernova, tal como Ílya.
Aquele pensamento me perseguiu mesmo depois de fechar os olhos e tentar dormir, e foi então que desisti. Levantei da cama, vesti um casaco e saí do quarto, chamando o elevador. Com as mãos dentro dos bolsos eu tentava esconder a ansiedade, mas meus olhos agitados me entregavam. Passei silenciosamente por todos e liguei meu Jëiser, uma espécie de nave espacial, porém menor, algo comparado com um carro. As turbinas ligaram e eu comecei minha viagem para Endívia.


Chegando lá, pude entender o que Kathya queria dizer. O ar estava pesado, e o calor era característico de um planeta Magmatial. Tudo parecia deserto, com as casas desmoronadas, o chão quebrado, e a fuligem dançando ligeiramente pelos restos deixados pelos moradores. Corpos de vários barϊthioñs decoravam o chão com a cor do sangue. Passei por todos eles, e então um corpo branco aproximou-se de mim, confiante.
─ Quem é você? ─ Ela perguntou, examinando-me de cima. Os camalienígenas nunca foram altos como os barϊthioñs, e apesar daquela ser aparentemente nova, ela não deixava de me vencer em altura. Meus olhos moveram-se inquietos, e comecei a sentir a respiração pesada.
─ Estou procurando Mor. Preciso falar com ele para... esclarecer algumas dúvidas, e ajudar com a situação atual... Eu-
─ Essa não foi minha pergunta. ─ Ela me interrompeu, enquanto as antenas dela moviam-se levemente, o que me deixou um tanto enojada. Os barϊthioñs eram bonitos, se fossemos examinar a elegância e riqueza, mas podiam ser bem desgostosos quando entravam em contato com seu lado animal. ─ Eu perguntei quem é você.
─ Eu me chamo Anastácia Grench, trabalho no Instituto de Pesquisas Espaciais, localizado no planeta Metamitial Ílya. ─ Ela me encarou de um modo ameaçador e engoli em seco. Minha cabeça começava a zunir e doer. ─ Preciso falar com o barϊthioñ Mor imediatamente, por favor.
─ Ele está morto. Seus assuntos podem ser resolvidos diretamente comigo.
Gelei. Se Mor estava morto, então a situação poderia ser pior do que eu imaginava. Fiquei um ou dois minutos sem falar. Não conseguia pensar com tantas dores, e o olhar daquela mulher me assustava. Queria virar, entrar em meu Jëiser e tomar providências quanto aos sintomas, mas eu não podia.
─ Desculpe... E quem é você? Talvez eu devesse falar então com a sacerdotisa Amaliah, ela deve ser a próxima no comando, hierarquicamente falando...
─ Infelizmente, Amaliah também está morta. Eu sou Alexandria Ïths, atual sacerdotisa dos Barϊthioñ, e qualquer assunto pendente deve ser tratado comigo.
─ Ah... ─ A observei por não mais que um minuto e soltei o ar, tentando encontrar oxigênio. ─ Então, preciso falar com você sobre a explosão. É visível que além dos mortos pelos escombros, vocês estão todos bem quanto aos... sintomas... nucleares. ─ Fui perdendo o ar, e me senti mareada. Ela levantou a pequena sobrancelha e sorriu, um pouco maldosa.
─ Estamos bem. Alguns sintomas, mas já superamos. Agora apenas precisamos reerguer nosso império. Você, por outro lado, não parece estar se sentindo bem na nossa atmosfera, não é?
Arquejei, ajoelhando-me, já com os joelhos fracos. Minha vista começou a ficar turva, e peguei meu celular. Cliquei na tela três vezes. Ela piscou com uma luz vermelha.
─ O que... aconteceu por aqui?
─ Bem, ─ Alexandria respondeu, movendo-se graciosamente, e puxando meu braço para levantar-me e colocar-me em um degrau da escada próxima. Ela respondia tão lentamente que mais parecia que ela tentava se vingar de mim. Mas por quê? Se tinham sido eles que ignoraram nosso alerta? ─ é simples. A supernova explodiu, nós fomos atingidos. Muitos morreram, e, apesar disso, mantiveram a fé em Yaemah e Ele nos protegeu. É claro que vocês não entenderiam isso. Não possuem um deus, apenas a ciência muda de vocês. Ah, não precisa fazer essa cara decepcionada. ─ Ela tocou meu rosto, e puxou o celular de minhas mãos. ─ Yaemah me mandou um sinal, e me avisou de um novo planeta a ser povoado, destruído há muito pela pena divina. Mas... Vocês ─ Então ela jogou meu celular no chão, fazendo com que a tela trincasse. ─ Vocês não precisam saber disso. ─ E o pisou, esmagando-o.
Não, pensei, chorosa. Eu sabia de que planeta ela estava falando. Sabia para onde ela planejava levar os barϊthioñs.
Ela foi embora, caminhando tranquilamente ao encontro de seu povo, deixando-me só, para morrer com a radiação dentro de mim. Eu não tinha como mandar mais nenhuma mensagem para o Instituto, mas provavelmente Kathya iria entender. E até mesmo me agradecer, apesar de eu ter me arriscado tanto, e, no final, morrido.
Logo, minha mente foi escurecendo. Senti todo o meu corpo perder as forças e ser esmagado por uma pressão assustadora. E a última coisa que eu pude pensar antes de morrer foi: Eles estão indo para a Terra.

Prólogo

A
ntes de a Terra existir, ocorreu a explosão da supernova 000, entre os cientistas da Terra conhecido como Big Bang e os religiosos, Yaemah; que fez com que um novo sistema solar fosse criado. Um tanto longe dali, estavam as mais avançadas criaturas existentes no universo: os camalienígenas.
Sendo a civilização mais invejada da época, foram estes que previram, em tempo, data e local exatos, a explosão da supernova. Foram anos trabalhando para com que as nações próximas pudessem se proteger diante o acontecimento, mas, infelizmente, algumas não foram tão obedientes como deveriam.
Expostas a um tipo de radiação, os barϊthioñs, pronunciando-se “baratas”, tiveram quase metade de seu planeta destruído. Alguma obra do destino fez com que, apesar da negligência, as mesmas recebessem estranhamente mutações, como habilidade de voo, nado, corrida, teletransportação, pulo, pigmentação fluorescente, visão infravermelha e resistência de aço sobre o mais simples ataques até os nucleares.
Tantos foram os benefícios recebidos que os camalienígenas não puderam deixar de lado a ira que sentiam. Por que aqueles que ignoraram o alerta foram tão bem aventurados? Infelizmente, o que os camalienígenas não puderam ver foi que, para os barϊthioñs, todos aquelas mutações eram na verdade uma maldição, e a perda de seu planeta natal era algo que não podia ser suportado. Sem saber, os camalienígenas, ao tentarem proteger os barϊthioñs, instigaram uma fúria e uma sensação de subordinação a estes, que eram uma raça muito orgulhosa.
E foi então que a guerra entre os dois mundos começou.